quarta-feira, agosto 31, 2005

A Política das Tascas

Esta forma de fazer política está presente em todos os concelhos medíocres do país geralmente conotados com o desemprego, a marginalidade, a acção social esquecida, a desertificação, o envelhecimento e consequentemente o esquecimento. O local de encontro, geralmente, é o café da esquina, vulgo tasca, onde grande parte dos homens se encontram. No caso de povoações maiores, em vez de haver uma tasca há várias, repartidas por todas as esquinas de todas as freguesias. Geralmente, nessas povoações, os homens que se juntam nas tascas são os idosos - para a jogatina diária da sueca ou das damas, passando assim o tempo - os adolescentes - que gostam de ir lá tomar um copinho com os "cotas" ao fim-de-semana - e os marginais - geralmente com problemas associados à dependência do álcool e cuja família passa sempre um mau bocado quando o fulano chega a casa.

Esta "política" baseia-se na visita incessante a essas tascas em que a discussão ronda o absurdo. Não se trocam ideias, não se discutem políticas estruturantes, apenas se faz o que a política tem de pior - o mal-dizer, a má língua e o achincalhamento. Ora, segundo Gustave Le Bon, no seu clássico "Política de Massas", esta é a forma mais antiga e mais primitiva de fazer política. Ao mesmo tempo é também a que melhores resultados trás. A fórmula é simples: pega-se nos podres dos adversários e espalha-se junto das pessoas com mais baixa reputação da sociedade, por forma a que se espalhe por toda a sociedade, dando forma e cor ao que de mais baixo tem a sociedade - a inveja. A isto, junte-se uma boa dose inventiva e temos o círculo fechado.

Tudo isto se passa em Sever. É a forma que todos usam para fazer aquilo que eles chamam de "política". Por alguma razão, estamos há 16 anos sem que ninguém apresente uma estratégia política séria para Sever que pense no futuro. Estão todos preocupados em dizer mal uns dos outros e, para cúmulo, admitem mesmo adoptarem essa via.
Por estes dias em Sever - e até às eleições - quem quiser encontrar os candidatos a alguma coisa, só tem que procurar nas tascas. Longe vão os tempos em que havia a preocupação de fazer comícios e festas para o povo, trazendo as figuras ilustres dos partidos para dar credibilidade aos candidatos quando era necessário e apresentando as ideias que cada equipa tinha para enfrentar o futuro...

Cumprimentos.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Candidatos à Câmara Municipal

Olá,

Esta semana tinha que vir com este tema. As listas estão entregues e surpresas não faltam. Vou falar um pouco sobre as candidaturas que o PP, PSD e PS apresentaram para concorrer à Câmara Municipal de Sever do Vouga.

PP
Este ano o PP não vai coligado. Nem com o PSD nem com o PS. Na minha opinião não vai coligado sequer com Sever. Pelo que ouvi dizer, têm uma lista que foi feita em cima do joelho (parece que alguém se esqueceu do trabalho de casa) e a verdade é que no site do PP ela nem aparece. Ao que se diz, o Partido em Lisboa meteu a mão na candidatura severense e engendrou alguns candidatos. A confirmar-se, o sucesso desta candidatura depende em parte do povo querer eleger alguém que não sabe sequer onde fica Sever do Vouga no mapa. Mas isto é tudo diz-que-disse. Assim que tiver novidades, trago-as para cá.

PSD
O PSD apresenta-se com caras novas. Quase todas. O candidato a Presidente chama-se João Almeida. Uma vez mais, o PSD apoia um candidato que não é "filho da terra". Da ultima vez era um médico com trabalho feito por e para Sever no Centro de Saúde, desta vez temos um Doutor das Finanças com trabalho desenvolvido em prol da cobrança de Impostos. É certo que era o trabalho dele - honesto de certeza - mas não sei até que ponto é que a opinião pública se sentirá confortável com um candidato que representa uma instituição que toda a gente tem tão má opinião.
O resto da lista tem nomes mais ou menos conhecidos dos quais posso destacar o Engº Rodrigues da Lacticoop e a Drª Isabel Tavares (muitos de nós se lembram bem dela da Escola Secundária), que inclusivé já foi vereadora de câmaras lideradas pelo Dr. Soares.
O PSD na apresentação da cadidatura aos militantes veio dizer que desta vez queriam pessoas que nada tivessem que ver com o passado, ou seja, pessoas sem currículo dentro do partido. Uma coisa é certa, podiam ter usado outra estratégia: em vez de apresentar uma candidatura com gente que nada tem a ver com o partido, tinham apresentado esta lista como independente, apoiando-a, alegando uma falta de quadros capazes disponívels e, assim, livrando-se de serem "chamados à pedra" por Lisboa (e também pela concelhia) para explicar o porquê de não haver pessoas da "máquina" nas listas...
O sucesso desta candidatura vai depender em muito da capacidade em demonstrar a seriedade e competência do candidato, uma vez que em relação ao resto da equipa, a capacidade técnica que apresentam é inquestionávelmente superior à da do PS, que uma vez mais, se apresenta com mais-do-mesmo, ou seja, tecnicamente, zeros à esquerda. É verdade que os candidatos vão ter que suar muito. Ver, aparecer, estar e falar vão ser os elementos chave para quem quer ter reconhecimento. Para mim já deviam ter começado há muito...

PS
O PS vai apresentar mais do mesmo. Depois de ter encostado quem lhe era incómodo, o Dr. Soares tem ao seu dispôr a sua "Dream Team" - a começar por ele próprio. Recém promovido a braço direito e primeiro na linha de sucessão do cargo de Presidente (sim, é desta que acontece e já toda a gente sabe) está o vereador António Coutinho. Seguidamente surge-nos o também vereador Raul Duarte que, aparte de se saber que faz parte da Câmara e que não falta às reuniões do executivo, outras obras, feitos ou ditos não se lhe conhecem (afinal ele era vereador de quê ???). Como não poderia deixar de faltar, o construtor-cacique Martins Pereira (cada vez mais a fazer lembrar a "velha raposa" que quase obrigava por contracto os seus empregados a votar nele) é o próximo na lista... and so on... and so on...
Esta candidatura faz-de-conta, apresenta-nos, uma vez mais, um relatório de promessas não cumpridas mas que vão ser cumpridas, uma capacidade técnica e de trabalho fora do vulgar (é até se chatearem uns com os outros, como foi no passado e é no presente) e uma política a pensar no futuro... não... não me refiro ao das pessoas que vivem e trabalham em Sever, mas ao futuro do umbigo daqueles que se candidatam. "SEVER PARADA" penso que vai ser o slogan que vão adoptar na campanha a fazer jus áquilo que têm feito nestes últimos 16 anos, ou seja, quase nada ou muito pouco !
O sucesso desta candidatura vai passar pelo numero de eleitores que forem votar. Quantos mais forem, mais vereadores metem. Isto porque o povo quer é copos e festa... e nisso... ninguém bate estes senhores !!

Cumprimentos.

terça-feira, agosto 16, 2005

Quinta do Barco ou o projecto "made by Soares"

Olá,

2ª feira, 15 de Agosto, Feriado Nacional. Estou de fim-de-semana prolongado e saio de casa e compro o jornal de sempre - o Público. No interior, uma notícia sobre as praias de má qualidade no país. Como sempre, Sever do Vouga lá aparece uma vez mais por uma notícia triste - a praia da Quinta do Barco é de má qualidade... Não estamos a falar da água, mas da praia em si e da sua envolvência...

Ora... se para alguns esta notícia possa ser novidade, para outros mais informados, não é senão a "cereja no topo do bolo" e corolário daquilo que foi e é a actuação Camarária em 16 anos de poder.

Uma das poucas obras que este executivo idealizou, projectou e concretizou (e que tem o tempo necessário para podermos tecer considerações) é também a que está mais abandonada, esquecida e mal tratada.

A Quinta do Barco - cartão de visita de Sever do Vouga - está agora perdida. Para sempre ? Talvez. Coincidência ou não, a maioria dos frequentadores da Quinta do Barco nem sequer é de Sever (por alguma razão será) e uma coisa é certa, depois desta notícia publicada em todos os jornais diários e em todos os serviços noticiosos de TV e de rádio, a coisa, certamente, vai piorar.

Este assunto tráz-me para uma outra discussão que, a meu ver, deveria ser a mais importante. Deverá Sever do Vouga ser um concelho virado para o Turismo ou para a Indústria ? A meio destes 16 anos de mandato, o Presidente achava que a indústria não era precisa em Sever e que o concelho viveria muito bem sem ela e com o turismo. Depois muda de ideia e cria zonas industriais em todo o lado para instalação de empresas de pequena dimensão, criando aberrações visuais e de planeamento como a Zona industrial de Carrazedo onde nem um camião TIR lá chega.

Estas mudanças só comprovam que os senhores que lá estão nem sequer têm uma ideia do que querem para o concelho. Ao mesmo tempo que criam as coisas, abandonam-nas.

Os contratos de exploração tanto da Quinta do Barco como da Piolhosa (nunca mais mudam o nome áquilo - eu voto em Parque Manuel Soares) obrigam a que certos trabalhos sejam executados, como limpeza, conservação e manutenção. Aliás, foram esses trabalhos que fizeram com que outros concessionários desistissem de apresentar candidaturas e a Câmara a baixar as rendas para valores completamente estúpidos.

Pergunto eu, o que fazem os jardineiros da Câmara e quantos são ? Quem manda neles ? Porque razão é que deverão ser terceiros a tratar dos espaços verdes públicos. Já alguém parou para pensar na área envolvida, tanto na Quinta do Barco como na Piolhosa ? Os custos que isso acarreta para qualquer concessão ? Acham mesmo que estas concessões se vão chatear com a manutenção dos espaços tendo em conta esses custos ? Eu acho, melhor, tenho a certeza que não. Não o fizeram até aqui e não o vão fazer concerteza de futuro (já estou a ver a Piolhosa com relva, melhor, erva de 1 mt de altura).

Como já aqui referi algumas vezes, esta é uma excelente altura para exigirmos que os senhores que nos governam há 16 anos ininterruptamente prestem contas. São eles os principais responsáveis por estes incidentes. São eles que têm que zelar pelo cumprimento dos contratos que adjudicam ou concessionam. Da mesma forma que são eles que têm que fiscalizar e intervir quando algo esté mal. É para isso que servem !

Uma vez mais, o meu inbox ficou repleto de mensagens de email a alertar-me para mais uma péssima notícia de Sever. Sim, porque apesar de tudo, eu ainda sou dos que convidam os amigos a ir passar uns dias à terrinha. Com muita vergonha os recebo e concerteza não serei o único !

Cumprimentos.

segunda-feira, agosto 08, 2005

Barragem de Ribeiradio... Será desta ?

Olá

Tive a oportunidade de passar os olhos pelo site do "Moliceiro" http://www.moliceiro.com/ , e dar-me de caras com uma notícia sobre a barragem de Ribeiradio - http://www.moliceiro.com/sever_do_vouga/artigo/5435. Certo é que esta "notícia" já não é nova... no dia 26/7, a SIC na sua versão online fazia destaque: http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/regional/Em+Oliveira+de+Frades.htm . O curioso é que o "Moliceiro", que é um jornal diário, demorou 13 dias para informar os seus leitores... vá-se lá entender porquê...

Este ano, a coisa surge numa altura crucial de caça ao voto. Cabe aos Executivos em funções "dar o litro" para captar a simpatia e o voto dos seus eleitores. O Presidente da Câmara de Oliveira de Frades (PSD) demonstrou um dinamismo inquestionável ao publicar a "sua" notícia num orgão de informação nacional e, desta forma, pressionar o Engº Sócrates a dar seguimento a uma obra que ele próprio lançou em 2001. O homem diz não ter dúvidas que a Barragem faz parte dos investimentos peioritários, sem, no entanto, ter visto uma única listagem desses ditos investimentos. Apesar de contraditório, o Presidente de O. Frades mostra aqui uma forma de exercer pressão sobre o Governo Central. É assim que se faz !

Ora, provavelmente ainda meio combalido do "sucesso" da Ficavouga, o nosso Presidente não quis ficar atrás e veio, em jeito de "epáh, quase que me esquecia disto", dizer umas palavrinhas para um jornal regional que ninguém lê (pelo menos na nossa bela terra), que tão oportunamente o entrevistou. Esta atitude de andar a reboque, para quem está a "exercer" há tanto tempo, fica muito mal. Ainda bem que, de quando em vez, aparecem uns Presidentes de Câmara vizinhos que se vão lembrando das coisas e actualizando a agenda ao nosso Executivo !

Tenho dito.

quarta-feira, agosto 03, 2005

Mais do mesmo...

Eu fico simplesmente abismado com o que se passa em Sever. A propósito da Ficavouga lembrei-me de mais uma coisa. Eu achei uma boa ideia a de dar uma vertente mais gastronómica à Fica. Isto a julgar pelas palavras do Vereador António Coutinho que em entrevista ao Moliceiro (http://www.moliceiro.com/sever_do_vouga/artigo/5268) afirma querer que a feira tenha um maior pendor gastronómico.

Mas aqui surge uma discussão que eu acho que deve ser tomada em conta por esses seres de sapiência superior. Alguém reparou em algum restaurante de Sever a servir algum prato típico ? A resposta é um redondo NÃO ! Havia frango de churrasco, comida brasileira, comida da galiza e leitão à bairrada... onde estava a vitela à moda de Sever ou a lampreia à bordalesa ? Não havia... pois é... a Câmara Municipal (e muito bem a meu ver) cria semanas durante o ano, é a semana da lampreia, é a semana da vitela, gasta rios de dinheiro na sua promoção e esquece-se de celebrar protocolos com os restaurantes - que são os únicos beneficiários - e "obrigá-los" a cumprir a sua parte na Ficavouga. Será que é tão difícil assim ?

Pergunto eu, qual é a piada de comer comida vinda directamente da Galiza, sem ter o prazer de disfrutar dos outros prazeres que a região galega oferece ? Quem já foi a Vigo (acaba por ficar mais perto que Lisboa) ou à Corunha sabe do que falo... É certo que não é errado ter cá comidas de fora para as nossas gentes apreciarem... mas que raio... a Ficavouga sempre foi uma mostra das potencialidades do concelho e não das potencialidades dos outros... Por isso é que nunca iremos a lado nenhum... mas o que é visível é a incompetência de quem deveria saber negociar (se nem com meia-dúzia de restaurantes da terra conseguem negociar, como o poderão fazer com o poder central) até porque andam nisto há quase 20 anos...

Um abraço !

segunda-feira, agosto 01, 2005

E agora... algo completamente diferente...

Mas que raio... acordo com a sensação de que a semana passou num instante... continuo com uma pequena náusea... Aconchegadinha no nosso cantinho à beira-vouga "plantado", lá vai a nossa terrinha vivendo aquilo que tem de melhor todos os anos: a Ficavouga !

Este ano, os números apontam para um custo de 90.000 euros que não foram, nem de longe nem de perto, aproveitados pelos severenses. O que se terá passado ?
Com um cartaz que, à partida, conseguiria rivalizar com muitas queimas das fitas deste ano (crise ? qual crise ??) - Quim Barreiros, Jorge Palma, Da Weasel e "os do costume", fiquei com a ideia de que a adesão do público severense foi má - muito má diria eu!
Claro que quem apostou num Quim Barreiros à quarta-feira não pode esperar enchentes... o Jorge Palma numa sexta é adequado, mas acho-o demasiado urbano para uma terra como a nossa. A verdade é que ele não surpreendeu ninguém com aquela péssima prestação em palco a fazer lembrar os velhos tempos de bebedeira e droga (a imagem da Fica deste ano ????) Os Da Weasel, que estão em todas, foram a aposta - perdida na minha opinião - para a noite de sábado. Acho que essa noite é a noite especial e não tinha custado nada ter posto os artistas a começarem mais tarde (lá prás 11 da noite) até porque quem decide estas coisas devia ter percebido que estava perante um grupo para as gerações mais novas e a "malta jovem" só se diverte bem mais tarde... que o digam os donos dos bares... nunca vi tanta gente na feira depois das 3 da manhã... caso para dizer que este ano a Ficavouga foi nocturna... ou direi madrugadora ?? Na minha sincera opinião, o Quim num sábado era pra rebentar tudo !!

Esta coisa da Fica deixa-me sempre com um pé atrás em relação a, pelo menos, 2 eventos... o 29 de Abril - atribuição do foral a Sever - e o 21 de Setembro - S. Mateus, feriado municipal.
Porque razão é que havemos de ter uma festa desta dimensão em Julho e não temos, sequer, uma comemoração digna desse nome na data de atribuição do foral ? (este ano andaram até ao fim para não fazer nada e depois lá foram desenrascar uma solução de último recurso e sem projecção nem luminosidade para comemorar os 491 anos de Sever como município). E o S. Mateus ? Será que este ano vai ser comemorado de uma forma tão simplista como é costume ? Ou vai a Câmara disponibilizar alguns (muitos) euros para ajudar à festa que é de todos (sim, porque o feriado é para todos). Ainda hoje os meus pais e avós se lembram daquela que era a maior festa do concelho e, direi mais, da região. Hoje, como termo de comparação, olhamos à nossa volta e vemos Vale de Cambra com as festas de Sto António (só para servir de exemplo).
Senhores do Executivo... já que gostam tanto de circular até às tantas - 4, 5 da manhã - não havendo capacidade (nem estômago) para as representações oficiais durante o dia, porque não fazer 3 festas grandes em Sever ? O foral é pra esquecer, mas o S.Mateus está aí à porta !! Este ano era um tal de captar votos... e depois não se queixe da má língua...

Cumprimentos