sexta-feira, setembro 01, 2006

A Prova dos Nove

Olá,

A maior parte – senão a totalidade – dos leitores do meu blog conhece-me. Eu não sou muito dado a politiquisses de baixo nível nem a teorias de conspiração anti poder instalado.

No entanto, sempre houve uma dessas teorias que me deixou “à coca” e à espera que um deslize ou uma inconfidência revelasse a veracidade dessa teoria. É ela a teoria da conspiração em que há um lobby fortíssimo dos empreiteiros que influencia a Câmara Municipal e que, numa conjugação de esforços, com panelinhas e a dividir entre todos, lá vão ganhando os concursos ditos legais, mas alegadamente manipulados à partida.

Para adensar a discussão à volta deste assunto, fiz algum trabalho de pesquisa em fontes oficiais e descobri algo que, se não prova o lobby instalado, pelo menos dá que pensar.

Aparentemente, e apesar de haver um empreiteiro na vereação da CM, o defensor intransigente dos empreiteiros é, nem mais nem menos, o Presidente da Câmara. Se estivermos atentos às actas das reuniões camarárias, é fácil detectar as medidas de proteccionismo que são adoptadas no discurso Presidencial, senão vejamos:
"Manuel Soares: Informou que existem poucos trabalhadores na instituição para esse tipo de serviço, e que alguns se encontram de baixa médica. No caso de pequenas empreitadas, avisa que os empreiteiros não gostam de fazer este tipo de serviço, pois são pequenos troços, em zonas diferenciadas da freguesia, que acarretam bastantes custos de deslocação."
Retirado da acta de reunião da Câmara Municipal de 26/06/2006.

Aqui está claramente retratado a atitude típica de quem está manipulado. Não se procura fazer o que é preciso, mas sim, aquilo que interessa ao empreiteiro. Isto explica o porquê de tantas obras adiadas sucessivamente, embora a gritante necessidade de as fazer (uma vez mais relembro que não é problema de dinheiro, a Câmara está cheio “dele”) e, da mesma forma, o porquê de algumas obras, cuja necessidade é muito discutível e, pior ainda, cujo próprio caderno de encargos é absolutamente estapafúrdio (estou-me a lembrar da Zona Industrial de Carrazedo, em que cuja construção foi necessário remover montanhas – literalmente – e em que ainda hoje um camião TIR não vai lá).

Seguidamente, o Sr. Presidente aproveitou para referir que, em relação a trabalhos a mais, o próprio legislador permite que podem ir até 25%.”
Retirado da acta de reunião da Câmara Municipal de 19/06/2006.

Uma vez mais o lobby a funcionar. Note-se a preocupação do Presidente da Câmara em justificar os trabalhos a mais com a legislação. É certo que Portugal é o único país do mundo em que a legislação permite este tipo de palhaçadas, assim como permite a eterno adiamento de obras, etc. Esta última frase também esclarece-nos em relação à gestão absolutamente displicente dos dinheiros públicos. Se custar mais 25%, que se lixe, a lei permite. Em tempos ouvi também da boca do Sr. Presidente, há uns anos atrás, quando questionado sobre mais umas contratações para a Câmara Municipal e cuja resposta foi algo do género - há cabimento, logo, contrata-se – sem nunca se ter tido em causa a necessidade.

Dá que pensar, não dá?

quarta-feira, agosto 30, 2006

O Rumo (ou a falta dele)...

Olá,

Eu sei... já não escrevia há muito tempo... entre estudo, trabalho e férias foi-se a vontade para escrever e, mais importante, o tempo para visitar Sever do Vouga. Mas os objectivos foram cumpridos e isso é que é o mais importante.

Dou uma volta pelos jornais da terra e vejo que nada de novo se passou entretanto... AH... este ano a Ficavouga ficou às moscas... só mesmo em Sever para se cobrar bilhete para uma festa que todos já pagamos... também me lembro de ter visto na televisão, durante uns 3 dias, o terror do lavrar das chamas em todo o “lado de lá” do rio... Cedrim, Paradela e Talhadas viveram dias terríveis... suspeito que ainda este ano teremos fogo do lado de cá: é a lógica do chamado sistema... já não ardia nada de jeito em Sever há muito tempo e, então, era a nossa vez! (Para quem quer conhecer melhor o sistema, veja aqui: http://estragodanacao.blogspot.com/)

Dou uma volta pela vila e noto que tudo, aparentemente, está na mesma... as mesmas caras, nos mesmos cafés, nas mesmas lojas, nas mesmas ruas... no entanto há algo de diferente nos olhares do povo... talvez devido às férias, talvez devido aos incêndios ou talvez devido ao marasmo do dia-a-dia severense, a depressão colectiva acentua-se. Não se vêm os sorrisos, já quase não se ouve o “bom dia” e o atendimento ao balcão já não é o que era...

Está estampado nos rostos daquela gente boa o fruto que semearam plantaram e re-plantaram há quase 20 anos. O “no future” de Sever é mais certo que nunca. Já ninguém acredita - já ninguém fica...

Hoje quero-vos falar de duas empresas...

A primeira é uma empresa que, de quando em vez, ainda trás boas novas para Sever. Parte integrante de um dos consórcios vencedores das éolicas, investirá, num futuro breve, 5 milhões de euros de na sua unidade industrial.

A segunda é uma empresa com algumas unidades industriais espalhadas por Sever em vários pavilhões, desagregada, partida em vários pedaços estando um deles, também, a operar em Albergaria. Ora, era intenção dessa empresa juntar-se e manter-se em Sever, numa única unidade industrial que iria, concerteza, fazer aumentar, em número, os já 60 trabalhadores severenses a quem dá emprego. Essa nova unidade iria ocupar um espaço de volumetria considerável e, ao que sei, a Câmara mandou dizer que não estava interessada numa unidade industrial deste calibre. Assim, a empresa em questão já estará a pensar em deslocar-se para Oliveira de Frades, a 60 cêntimos o metro quadrado de área dom todas as comodidades para a indústria...

É certo que a 2ª não chegava aos calcanhares, sequer, da 1ª em termos de volumetria instalada...

Não consigo compreender a dualidade de critérios... umas podem crescer à vontade (e ainda bem!!) e outras não. Pior ainda, não posso sequer conceber a atitude criminosa – sim criminosa – de quem tem o poder para recusar a instalação de indústrias quando o que está em causa é a manutenção de, pelo menos, 60 postos de trabalho de gente de Sever... que, de certeza, não irão para Oliveira de Frades trabalhar todos os dias. A essas 60 famílias só tenho a aconselhar uma coisa... lembrem-se nas próximas eleições de quem vos tirou o emprego, únicamente por não saber que rumo dar a uma terra há 20 anos condenada!

Cumprimentos.

quinta-feira, maio 04, 2006

Uma ideia... para o FUTURO!

Olá,

Não sei se serei o primeiro a lembrar-me disto, mas com uma área tão grande de floresta que nós temos em Sever, que tal implantar uma das Centrais de Biomassa que o Governo quer construir em Portugal?

A Câmara Municipal podia, facilmente, constituir uma empresa municipal (que fosse eficiente) que se encarregasse de criar as infraestruturas e estudos necessários à implementação dessa Central no nosso concelho e que, obviamente, se preocupasse em garantir uma licença de funcionamento emitida pelo Ministério competente. Ao mesmo tempo que sensibilizava as populações para a limpeza das matas, criava sistemas de incentivo à criação de empresas que se encarregassem desse serviço. Assim, e legislando adequadamente nesse sentido, a CM estaria a executar um serviço às populações, fazendo-as beneficiar do seguinte:

1. Limpeza gratuita das matas, um bem que é de todos, aumentando, também, a eficácia do Corpo de Bombeiros Voluntários;

2. Transformação dos resíduos provenientes dessas limpezas em energia eléctrica, aumentando a independência de recursos energéticos do exterior, utilizando essa energia na iluminação publica, eliminando os problemas que surgem repetidamente com a energia fornecida pela EDP;

3. As despesas correntes da CM viam-se, assim, reduzidas em valores elevados, uma vez que a factura da EDP iria ser radicalmente reduzida e, assim, poderiam usar esses recursos de outra forma mais útil;

4. Transformação do panorama agrícola em florestal, incentivando o reflorestamento, beneficiando dos muitos programas de incentivos que o Governo e a UE têm para este fim;

5. Aumento do nº de postos de trabalho disponíveis, através das pequenas empresas de limpeza das matas e da própria Central de Biomassa;

6. Aumento do rendimento do Corpo de Bombeiros Voluntários, uma vez que, também eles poderiam criar um corpo de limpeza de matas e, ao mesmo tempo com os benefícios que essa limpeza traria, viam reduzido o numero de incêndios no Concelho e, consequentemente, os gastos por eles motivados;

7. A actividade dos Bombeiros poder-se-ia centrar na ajuda às populações, através das suas ambulâncias que, tendo em conta o futuro de uma população cada vez mais envelhecida no nosso concelho, traria benefícios visíveis a curto, médio e longo prazo;

8. Aumento da capacidade energética do concelho, uma vez que a Barragem de Ribeiradio é, cada vez mais, uma miragem;

9. Aumento da actividade empresarial de pequeno porte, numa altura em que cada vez são menos as pequenas empresas em Sever e a tendência é para que este movimento se agrave;

10. Etc, etc, etc...

Politicamente sou completamente a favor da iniciativa privada mas, neste caso, quando o peso da administração publica nos processos de decisão se torna evidente, e uma vez que a criação de uma EM irá forçar a criação de pequenas empresas (note-se que a própria definição de EM terá que obrigar os seus administradores a terem um orçamento equilibrado), os benefícios que esta política empresarial trará serão muito elevados. Ao mesmo tempo, a preocupação social está evidente através da utilização dos recursos que se poupariam em benefício da população.

Tenho a certeza que os 2 milhões de euros que a CM tem em conta corrente serão mais do que suficientes para fazer avançar este projecto e garantir, num curto prazo, a duplicação desse valor através da poupança que a própria CM iria obter e do aumento do nº de empresas, logo, impostos cobrados.

Cumprimentos.

Para saber mais: http://www.energiasrenovaveis.com/html/energias/biomassa.asp

quarta-feira, abril 19, 2006

Eu avisei...

IPE Brent Crude Oil Price - 18/04/2006 - USD $72,40
http://www.oilnergy.com/index.htm

terça-feira, abril 18, 2006

O Exercício Económico de 2005 e o sapo engolido...

Olá,

Estive a ler a acta da reunião camarária do último dia 27 de Março. Nessa reunião foram apresentados, entre outros assuntos, o documento de prestação de contas relativas ao exercício económico de 2005, estando presentes o Presidente da Câmara, os 3 vereadores eleitos pelo PS e os 3 vereadores eleitos pelo PSD, não havendo, assim, faltas a registar.

O Exercício Económico...

Ao dar uma vista de olhos pelo documento reparo que, no ponto 2 das intervenções na discussão das contas é referido que "a massa salarial representa 49% da despesa corrente". Quer isto dizer que a Câmara Municipal utiliza 49% do orçamento para pagar aos funcionários... Quer isto também dizer que o que se gasta em Educação, no Desporto e na Cultura (estou apenas a referir-me aos exemplos dados pelo Presidente da Câmara) é equivalente ao que os funcionários da Câmara levam para casa todos os meses... Quer isto dizer que os apoios dados a todas as Juntas de Freguesia, Associações, Escolas, equipamentos vários (piscina, pavilhão, etc), etc, usufruto dos 12.940 munícipes (dados de 2004) de todo o concelho de Sever, reduzem-se à insignificância de serem equivalentes ao que os cento e poucos empregados da câmara recebem, ano após ano...

Com muita lata e falta de educação, o Presidente da Câmara pergunta se a oposição estará interessada em acabar com os apoios...

Na falta de resposta capaz (pelo menos registada em acta) por parte dos vereadores da oposição, respondo eu: caro Presidente, o que nós munícipes queremos, é que as nossas ruas estejam limpas (a estrada que passa em casa dos meus pais tem erva com meio metro a crescer por entre o lancil e o alcatrão!!!) e hajam caixotes do lixo; que as escolas não tenham que esperar ad aeternum por obras de conservação; que não chova dentro do pavilhão e os balneáreos sejam mais dignos; que os parques estejam limpos e acessíveis; que os funcionários da Câmara sejam dignos de desempenharem as suas funções e não sejam conhecidos por serem os maiores frequentadores dos cafés, tascas e pastelarias a qualquer hora do dia, como se o café da manhã não tivesse fim ou o trabalho não fosse muito; que esses mesmos funcionários tratem com respeito e elevação qualquer munícipe que se dirija aos serviços e sejam eficientes a executarem as suas tarefas...

Meu caro presidente, o que pedimos não é muito... apenas que os funcionários demonstrem que merecem metade do investimento corrente feito no nosso município, nada mais!!

E o Sapo anunciado...

No final da apreciação deste documento e após aceso debate entre o Executivo e a Oposição, ficou claro na votação que algumas das apostas feitas pelo PSD nas autárquicas foram tremendamente erradas. Um dos seus vereadores - o do costume, aliás - absteve-se. Isto demonstra a completa incapacidade de liderança e rumo da "bancada" social-democrata eleita. Já que o partido quer expulsar aqueles que foram a eleições por discordarem das opções estratégicas das concelhias, talvez fosse altura de pensarem em tomar uma atitude perante os eleitos que se opõem à estratégia nos municípios... porque esses têm um papel fundamental na vida do município.

Este é só mais um dos inúmeros sapos que a concelhia do PSD vai engolir. Os avisos foram feitos na altura certa... mas houve quem preferisse a incerteza à certeza e a independência à dedicação...

Um abraço

quinta-feira, abril 13, 2006

Email aberto ao Pacheco Pereira...

Caro Pacheco Pereira,

Uma vez que sou em partes iguais crítico e admirador do seu trabalho e das suas opções políticas, uso este mail para lhe propor uma discussão publica à volta da seguinte questão...

Quem é responsável no Governo pelos cálculos para inclusão no Orçamento de Estado dos preços médios do barril de petróleo ?

Como extremamente céptico na eficiência do aparelho de estado - a começar nos políticos que o representam (claro que há (muito raras) excepções) - desconfio que quem prepara os orçamentos de estado desconhece a realidade financeira e especulativa em torno das questões básicas e essenciais que são o garante da sociedade ocidental, tal como a conhecemos.

Falo, obviamente, do poder do capital e da relação básica económica entre a oferta e a procura. Será que esses orçamentistas se esqueceram, repentinamente, do básico?

Hoje de madrugada vi, em repetição, a Quadratura e ouvi o Jorge Coelho a referir-se ao preço do petróleo usado nas previsões orçamentais como sendo "uma previsão média de preços"... O Lobo Xavier referiu-se à especulação criada à volta do preço, que representaria "uma fatia importante no preço"... a especulação representa exactamente isso - a antecipação da evolução do preço do Petróleo...

Apesar de eu já ter trabalhado no mercado financeiro - 2 anos na Fincor - não tenho nenhum curso dito superior, no entanto estou a terminar o meu curso em Engenharia Industrial. Contudo, não sou nem Gestor (de canudo) nem Economista, mas uma coisa é certa... ao contrário dos nossos orçamentistas, eu uso o cérebro para pensar.

A dedução é muito simples e lógica: numa economia global e de mercado, onde há um país - a China - que em 5 anos passa de consumidor médio para o maior consumidor a larga distância do que vai em 2º e em que o crescimento está, supostamente, bloqueado a 7%, porque não há interesse que cresça muito mais, vai forçar, pelo menos, que o crescimento do consumo continue...

Como o Output do petróleo é já, desde há muito, diminuto comparado com as necessidades (provavelmente haverá países que não crescem mais, anualmente, porque não têm acesso a mais petróleo) a relação entre a oferta e a procura vai continuar desiquilibrada durante muito tempo... e com tendência a que os preços aumentem!!!

Só isto era suficiente para desiquilibrar a balança para preços absurdos... mas há mais... a somar a este crecimento exponencial chinês, há os problemas na Nigéria, a questão do Irão e do Médio Oriente, a instabilidade em maior parte dos países da Federação Russa (principalmente aqueles onde passam oleodutos)... a incerteza do estado das condições atmosféricas que afectam, em muito, o output no golfo da Califórnia,... etc etc etc...

Se isto não bastasse para provar a incapacidade/ignorância (para não usar um termo mais forte) dos orçamentistas, eles poderiam, pelo menos, aconselharem-se junto de uma qualquer instituição financeira internacional - muitas delas gerem orçamentos de investimento superiores ao orçamento nacional - ao que a maior parte diria sem reservas que o preço médio adoptado por Portugal para o Orçamento (USD $65.60) estaria na fasquia mais baixa dos preços a que o Petróleo irá cotar-se este ano.

Finalmente, a previsão de um desses bancos coloca o petroleo nos USD $150 ainda este ano. Este banco está acima de qualquer suspeita e é um dos mais conceituados bancos de investimento mundiais. Em anexo envio-lhe o Outlook 2005 - para poder verificar, se quiser, quantas previsões eles acertaram no ano passado (nota especial para o preço do petróleo)... vai ficar surpreendido.

Para concluir... não querendo acreditar que os orçamentistas são tão maus como eu os pinto, é sinal, então, que o PS se prepara para, no final do ano, dar a desculpa que foram os preços do petróleo que deram cabo do orçamento... quando já sabiam no que se estavam a meter no início do ano...

Como pessoa preocupada com o dia-a-dia de Portugal e da minha terra, sendo PSD desde que me lembro - no entanto afastado compulsivamente da política activa pela máquina partidária (daria para outro mail) - debruço-me sobre estas questões regularmente. Como acho que esta do petróleo é demasiado importante - ate porque o erro é grosseiro - decidi escrever-lhe, uma vez que o vejo como uma espécie de Procurador do PSD... onde cidadãos comuns, que não pertencem à alta esfera do partido, podem expor as suas ideias, sabendo que o Pacheco Pereira lhe dará a devida atenção.

Com os melhores cumprimentos,
Paulo César Martins

Fontes: www.infobolsa.es/v2002/Contenidos/DicenExp_Tecnico/Saxobank/ficha-saxobank.asp e http://www.forexproject.com/files/SaxoBankOutlook2006.pdf

domingo, abril 02, 2006

A assinatura incómoda...

Olá,

Tenho o jornal Margens do Vouga (ed. 32) à minha frente e quase não acredito no que leio. Na página 2, em jeito de nota da redação, o jornal teve que vir à praça pública sustentar com prova uma notícia, escrita duas edições antes, de que o Vereador António Coutinho teria feito uma reprimenda bastante grande aos funcionários da Câmara (nomeadamente almeidas, trolhas, pedreiros, etc...) e que isso teria ficado escrito num documento com o título "Reunião com o Sr. Leça.

A polémica, desta vez, prende-se com o facto de o vereador citado presumivelmente andar a dizer na rua que o que o jornal escreveu era mentira - o jornal, e muito bem, publicou o documento para provar a verdade.

Esta situação demonstra um exemplo típico do que sempre se passou em Sever. Um jornal - independentemente de ser faccioso, ou não - publica uma notícia verdadeira, baseada no princípio jornalistico de informação retirada de fontes credíveis e é logo acusado de mentira pelo alvo dessa mesma notícia.

A maior chatisse é que o vereador teve azar. Não teria tido azar se não tivesse assinado o documento... mas a verdade é que a inimitável assinatura dele está lá... agora das duas, uma... ou o vereador assina de cruz e alguém lhe meteu este documento no meio da papelada, ou o homem está a tentar fugir à responsabilidade daquilo que defende no documento.

Deste episódio ridículo tiramos duas importantes ilações. A primeira é a de que talvez este azar sirva de lição ao Vereador Coutinho e para a próxima ele não assine documentos pelos quais não se queira responsabilizar, a segunda é a de que os severenses têm a prova de que quem decide os desígnios da sua terra não é sério nem merece credibilidade e, mais grave, mente descaradamente.

Cumprimentos

quinta-feira, março 09, 2006

Uffff... já está!

Sampaio a resumir os 10 anos de mandato:

"... eu acho que contribui para aguentar isto..."

foi pena... devia ter contribuido para que nunca se chegasse a isto.

domingo, março 05, 2006

Passaradas

Olá,

Passo os olhos no JN de hoje e leio a notícia que já tinha visto no noticiário de um canal de TV. Uma vez mais, Sever na TV por uma má causa.

Centenas de frangos despejados numa encosta do Rio Vouga, junto a Cedrim... como se de lixo se tratasse. Diz o Edgar Jorge Silva (Presidente da Junta de Cedrim, ex-PSD, agora Nova Democracia, no entanto eleito como independente) que "é preciso que se descubra quem são os autores e que sejam punidos severamente." Palavras sábias e carregadas de razão. Resta perguntar se será isso suficiente?

A maior riqueza que Sever tem, tirando as suas gentes, é o Rio Vouga. Fornecedor de água para muita da população a juzante, o Rio Vouga tem sido durante muitos anos um vazadouro contínuo de entulhos e lixo sem que nada (ou muito pouco) se faça. Com tantos empregados que a CM tem, seria útil reservar alguns para a árdua tarefa de combate aos crimes ambientais que vão surgindo de quando em vez. Em vez de reagirem às coisas, deviam agir na prevenção. Já que o Presidente da Câmara não liga nenhuma para outras coisas que não sejam obras, tem obrigação de ter alguém que tome conta destes assuntos, daí eu presumir que Sever tem um vereador com a pasta do ambiente...

É óbvio que a Câmara não tem culpa que ainda haja gente que não tem o mínimo de consideração pelo ambiente (logo, pelas pessoas), mas tem óbviamente culpa de não ter alternativas para o lixo produzido em Sever. É seu dever e sua função informar os munícipes sobre as formas de se verem livres dos vários lixos que produzem, e quando estas não existirem, é sua função e dever criar condições para que existam.

Na minha opinião, acho que é muito fácil descobrir quem foi, uma vez que supostamente as entidades veterinárias terão registos de todos os aviários e a quantidade de frangos por eles produzida e em produção. Como os frangos ainda demoram a crescer - e os frangos em questão já são bem grandinhos - basta pegar nos ultimos registos e compará-los com uma inspecção de investigação que possam fazer aos aviários todos e, no final, fazer contas de somar. Se em aviários faltarem frangos, das duas uma... ou foram vendidos ou morreram. Se foram vendidos, há documentos que poderão comprovar, se morreram... hão-de estar enterrados algures, que é o que qualquer pessoa faria numa situação dessas - servem de adubo natural às terras. Et voilà... terão descoberto os autores de mais esta proeza made in Sever!

Cumprimentos

sábado, fevereiro 25, 2006

O Rei morreu, Viva o REI !

Olá,

Sampaio vai-se embora... óptimo!

Acaba no próximo dia 9 de Março o mandato do pior Presidente da Republica que o nosso país teve desde o 25 de Abril. A inutilidade política de Sampaio foi evidente - só não viu e não assume quem não quer. Com tantos problemas que surgiram nos últimos 10 anos, Sampaio nunca teve opinião, nunca teve capacidade para influenciar os vários governos e governantes a fazer melhor. Sampaio foi, como são muitos portugueses, o exemplo perfeito daquilo que vulgarmente chamamos de "funcionário público". Chegava a horas aos compromissos e limitava-se a fazer o que era suposto fazer. Nem mais, nem menos. Reagia às coisas muito lentamente e nunca teve uma atitude pró-activa.

Timor-leste bem pode agradecer a Sampaio. Ele fez muito mais por Timor do que Portugal. Admito mesmo que o empenho demonstrado por Sampaio na questão de Timor e a sua atitude paternalista, fazem quase lembrar o velho Soares em relação a Portugal. Ele - Soares - esqueceu-se que, como qualquer criança, o país cresceu, amadureceu e deixou de depender dessa meia-duzia de pessoas iluminadas, diferentes das outras apenas porque os pais tiveram dinheiro para os por a estudar e tirar um curso. Ele - Sampaio - esqueceu-se que ser Presidente da República é ser muito mais que um mero representante da nação. O maior poder do Presidente - o da influência - deve ser exercido por quem a possa ter. Como é que poderíamos esperar que Sampaio exercesse o poder de influência se nem no partido de origem ele o detinha e, diga-se a bem da verdade, nunca foi, sequer, respeitado.

Agora resta-nos esperar para ver o que fará Cavaco com os poderes de Presidente da República. Duvido que faça como Sampaio e deixe as coisas andarem este tempo todo, à toa, contribuindo para a má imagem e o descalabro das coisas. Tenho a certeza absoluta que questões como esta dos nºs de telefone do processo da Casa Pia já tinham sido resolvidas há muito!

Na minha opinião, o País das Bananas acaba aqui... com o último dos bananas a ser substituido.

Até à próxima!

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

1 Ano - Até parece mentira !!

Olá,

É verdade !

Este blog faz hoje 1 ano. Em Fevereiro de 2005 iniciei-me na blogosfera editando o severpolítica com os meus comentários e ideias da vida política de Sever do Vouga, minha terra natal.

Entretanto, tive 1.984 visitas no total, o que prefaz qualquer coisa como 5 visitas por dia. Estes números são muito encorajadores e são eles que me fazem continuar a deixar os meus comentários da actualidade política severense, com a minha visão das coisas.

A todos os visitantes o meu especial agradecimento... afinal, é para vocês que este blog existe !

Abraços

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A Florestação e o Arestal

Olá,

No fim de semana dei um salto a Sever e, na viagem de regresso, lembrei-me de dar uma volta pelo Arestal.

Fui pela Pena, saí em Nespereira e tomei o rumo para o alto da serra do Arestal. Surpresa minha reparei que de Nespereira até ao Borralhal (1km, 2kms talvez) a estrada está uma miséria autêntica. À saída de Nespereira, o piso é em tapete... imediatamente entra-se numa zona de buracos e mais buracos e de alcatrão em muito mau estado (penso que será ainda o piso original). Repentinamente - zás! - de novo em estrada em alcatrão já sem buracos e com qualidade... será que esta gente do Borralhal não merecia mais 1km de estrada ?

Ao subir para o Arestal deparei-me com algo que me fez pensar - e que, no fundo, foi o que me levou a escrever este post - de um lado e de outro da estrada encontram-se plantados pinheiros. Montes deles. Diria até que deverá ser a maior concentração de pinheiros em Sever do Vouga. Isso agradou-me bastante. Não só por serem pinheiros, mas por darem outra imagem completamente diferente da flora de Sever tão fustigada pela presença quase massiva do eucalipto.

Mas não é por causa da beleza intrínseca que a visão de um pinhal dá que eu escrevo este post. A verdade é que, lado a lado com estes pinheiros, bem juntinho, estão plantados hectares de eucalipto - aparentemente plantio recente - o que me leva a especular sobre a possibilidade de se plantarem culturas hostis como o eucalipto junto de culturas saudáveis e de longa duração como o pinheiro. Qual será a ideia dos idiotas que aí plantam eucaliptos? Será que é permitido fazê-lo? Quem deve zelar pelo cumprimento das regras?

O Governo, através do DL 565/99, proibe a replantação de várias espécies não indígenas, entre elas, o eucalipto. Cada vez mais as áreas onde existem pinheiros estão a ser desbastadas e replantadas com esta espécie infestante e que, por motivos apenas económicos, não são alvo de inspecções e de aplicação de coimas aos prevaricadores. Para que o assunto não ficasse esquecido, o Governo publicou o DL 175/88, de 17 de Maio, obrigando a autorização prévia pela Direcção-Geral de Florestas, novas áreas de plantio destas espécies em concelhos onde a floresta de espécies de crescimento rápido atingisse 25% da área total. A portaria 513/89, de 6 de Julho, valida Sever do Vouga como um dos concelhos onde é obrigatório a autorização para o plantio de eucalipto.

Num concelho eminentemente turístico (não vejo outra solução para Sever) esta questão deveria ser uma preocupação. Numa altura em que o tempo das "vacas gordas" do comércio do eucalipto já passou (nomeadamente provindo de Sever), em que as boas produtividades (120m3/ha/ano) só se conseguem, no nosso país, a sul do tejo e em plantações antigas, e em que há uma preocupação cada vez maior em proteger as espécies autóctones ou, sendo invasoras, não proliferem através da destruição da fauna e flora circundante, urge responder a esta questão de uma forma firme e eficaz, em cumprimento com o Artº 15º da Lei nº 13/2002 - Lei de Bases do Ambiente. Não poderemos ficar durante muito mais tempo à espera que alguém faça alguma coisa, vendo a nossa fauna e flora a desaparecer ano após ano...

Urge, então, definir limites, com as autoridades, para a reflorestação com estas espécies não indígenas que tanto atacam o nosso bem-estar sem trazer benefícios visíveis para a nossa comunidade, e, ao mesmo tempo, fazendo cumprir a lei.

Que o Arestal sirva de exemplo!

Cumprimentos

Fontes: Site da legislação documental da Direcção Geral do Ambiente: http://www.diramb.gov.pt

Nota: O PDM severense define como espaço florestal os espaços pertencentes correspondentes "aos terrenos com vocação florestal, arborizados ou não, podendo apresentar potencialidades de uso mediante acções de recuperação ou reconversão e cujo ordenamento sectorial tem como objectivo fundamental assegurar as suas funções produtiva, ecológica e estruturante". Espero que dêm o ênfase necessário à questão ecológica!

domingo, janeiro 22, 2006

O Homem do Leme is back !

Caros amigos,

Sozinho na noite
Um barco ruma, para onde vai.
Uma luz no escuro
Brilha a direito, ofusca as demais.

E mais que uma onda, mais que uma maré...
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé...
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme...


CAVACO SILVA - 75,83%
6136

MANUEL ALEGRE - 13,66%
1105

MÁRIO SOARES - 5,88%
476

FRANCISCO LOUÇÃ - 2,45%
198

JERÓNIMO SOUSA - 1,90%
154

GARCIA PEREIRA - 0,28%
23
Fonte: STAPE - http://www.presidenciais.mj.pt/html/ISD01C17.html

Os dinossáurios da política começam a entrar em extinção no país... e tu Sever ? Quando arrumas tu com os teus ?

Cumprimentos.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Não lembra ao diabo !!

Olá,

Aproveitei este ambiente criado pelas eleições Presidenciais para fazer um update ao meu blog.
Sever do Vouga fechou o ano passado com um facto político que tem tudo para ser, ao mesmo tempo, curioso e ridículo.

A primeira Assembleia Municipal, após as últimas eleições Autárquicas em Outubro, acabou ao mesmo tempo que começou...

Segundo o jornal Margens do Vouga - única fonte de notícias da "terrinha" - o caso ocorreu devido ao facto de um dos deputados da dita - Francisco Veloso - não ter sido convocado convenientemente e de não ter recebido a documentação suporte, necessária à adequada preparação para a Assembleia.

Em Outubro, aquando das eleições, comentei a situação deste deputado único, eleito pelo CDS-PP, que, à semelhança dos seus pares de lista, não fazia vida em Sever e que, julgava eu, nem sequer iria pôr os seus lindo pés em nenhuma Assembleia Municipal mas afinal estava enganado!! Este deputado não só veio às reuniões da Assembleia, como até já provoca situações embaraçosas para o "povinho da província", habituado à calmaria do deixa-andar e da ingenuidade.

Mas quem julga que o caso ficou por aqui, engane-se. A coisa piorou. O Presidente da Assembleia Municipal ficou atarantado com o sucedido, adiando assim, a Assembleia para Janeiro. Entretanto, tal e qual salvador da pátria, o sempre-poderoso Soares, achando que estava a fazer uma grande coisa, lá foi adiantando ao dito deputado que aquilo era prática corrente... Às vezes os deputados nem convocados eram e apareciam na mesma...

Face a esta situação, há alguns comentários que julgo dever tecer.

Há muito que venho pedindo a todos os políticos severenses, com quem troco ideias, para começarem a ser menos rurais (achei a expressão "provincianos" demasiado urbana), e encararem a política como uma dádiva, considerando os mandatos que o povo lhes atribui, como votos de confiança, e que os usem em benefício desse mesmo povo - sempre com o objectivo fundamental de desenvolver de forma responsável a terra onde vivem e trabalham. Os políticos severenses têm a mania de que o "lugar" na Câmara, na Assembleia ou nas Juntas lhes dá o poder de poderem fazer o que quiserem sem dar cavaco a ninguém... No entanto, se assim for, nunca sairão da cepa torta... e andamos nisto há 20 anos!! É urgente planear a médio e a longo prazo o futuro da nossa terra... sob pena de vivermos num ostracismo tal que seremos, com toda a certeza, remetidos para o esquecimento...

Espero, sinceramente, que este novo severense, adoptado, traga algo de bom para a nossa terra. Que não siga a política do deixa andar e que não se intimide em apelidar de provincianos os seus pares, obrigando-os a seguir rumos mais acertados. Tomara eu (e muitos como eu) ter tido essa oportunidade que nos foi vedada pela estrutura partidária de que fazemos parte, e da qual somos, pura e simplesmente, riscados do mapa político, por termos ideias demasiado revolucionárias para a intelectualidade de quem manda. Eu, e os muitos como eu, acabamos por ofertar o nosso intelecto político, aos concelhos vizinhos, ajudando-os no seu desenvolvimento... paciência!

Para terminar, regozijo-me por este caso ter surgido. Ao que parece, o orçamento iria ser votado e o partido que sustenta o Executivo não tinha o número de deputados suficientes para o aprovar. Assumindo que não há irresponsabilidade de quem não marcou presença, o PS estaria em maus lençóis, pois veria a planificação anual reduzida a duodécimos, apesar de eu achar que não iria afectar em nada a evolução de Sever, a avaliar pelo que tem sido feito nos últimos 16 anos. Todavia, este sistema poderia acarretar problemas na contratação de mais pessoal para a Câmara... e não íamos querer isso... pois não?

Cumprimentos