quarta-feira, agosto 30, 2006

O Rumo (ou a falta dele)...

Olá,

Eu sei... já não escrevia há muito tempo... entre estudo, trabalho e férias foi-se a vontade para escrever e, mais importante, o tempo para visitar Sever do Vouga. Mas os objectivos foram cumpridos e isso é que é o mais importante.

Dou uma volta pelos jornais da terra e vejo que nada de novo se passou entretanto... AH... este ano a Ficavouga ficou às moscas... só mesmo em Sever para se cobrar bilhete para uma festa que todos já pagamos... também me lembro de ter visto na televisão, durante uns 3 dias, o terror do lavrar das chamas em todo o “lado de lá” do rio... Cedrim, Paradela e Talhadas viveram dias terríveis... suspeito que ainda este ano teremos fogo do lado de cá: é a lógica do chamado sistema... já não ardia nada de jeito em Sever há muito tempo e, então, era a nossa vez! (Para quem quer conhecer melhor o sistema, veja aqui: http://estragodanacao.blogspot.com/)

Dou uma volta pela vila e noto que tudo, aparentemente, está na mesma... as mesmas caras, nos mesmos cafés, nas mesmas lojas, nas mesmas ruas... no entanto há algo de diferente nos olhares do povo... talvez devido às férias, talvez devido aos incêndios ou talvez devido ao marasmo do dia-a-dia severense, a depressão colectiva acentua-se. Não se vêm os sorrisos, já quase não se ouve o “bom dia” e o atendimento ao balcão já não é o que era...

Está estampado nos rostos daquela gente boa o fruto que semearam plantaram e re-plantaram há quase 20 anos. O “no future” de Sever é mais certo que nunca. Já ninguém acredita - já ninguém fica...

Hoje quero-vos falar de duas empresas...

A primeira é uma empresa que, de quando em vez, ainda trás boas novas para Sever. Parte integrante de um dos consórcios vencedores das éolicas, investirá, num futuro breve, 5 milhões de euros de na sua unidade industrial.

A segunda é uma empresa com algumas unidades industriais espalhadas por Sever em vários pavilhões, desagregada, partida em vários pedaços estando um deles, também, a operar em Albergaria. Ora, era intenção dessa empresa juntar-se e manter-se em Sever, numa única unidade industrial que iria, concerteza, fazer aumentar, em número, os já 60 trabalhadores severenses a quem dá emprego. Essa nova unidade iria ocupar um espaço de volumetria considerável e, ao que sei, a Câmara mandou dizer que não estava interessada numa unidade industrial deste calibre. Assim, a empresa em questão já estará a pensar em deslocar-se para Oliveira de Frades, a 60 cêntimos o metro quadrado de área dom todas as comodidades para a indústria...

É certo que a 2ª não chegava aos calcanhares, sequer, da 1ª em termos de volumetria instalada...

Não consigo compreender a dualidade de critérios... umas podem crescer à vontade (e ainda bem!!) e outras não. Pior ainda, não posso sequer conceber a atitude criminosa – sim criminosa – de quem tem o poder para recusar a instalação de indústrias quando o que está em causa é a manutenção de, pelo menos, 60 postos de trabalho de gente de Sever... que, de certeza, não irão para Oliveira de Frades trabalhar todos os dias. A essas 60 famílias só tenho a aconselhar uma coisa... lembrem-se nas próximas eleições de quem vos tirou o emprego, únicamente por não saber que rumo dar a uma terra há 20 anos condenada!

Cumprimentos.